Depoimentos de alguns Pioneiros de Pérola
Transcrevemos, a seguir, o depoimento de alguns pioneiros de Pérola, que com sua coragem e bravura foram os primeiros que aqui se aportaram para desbravar este Eldorado:
KAZUO KAMEI
O Senhor Kazuo veio para Xambrê, município vizinho, com um amigo para conhecer as terras recém abertas pela então colonizadora Byington, no ano de 1955.
Chegando em Xambrê informaram-lhe sobre algumas terras mais para frente, hoje Pérola.
Nessa visita ele percebeu a qualidade das terras boas, segundo ele; mata virgem, muito bonita, com árvores enormes, como a peroba e cedro.
O Senhor Kazuo nos contou que se encantou com as terras e comprou na estrada Palmital o lote nº 36 por CR$ 12.000,00. A colonizadora exigia 10% de entrada e o restante era pago em 4 (quatro) anos. Os sítios, disse ele, eram todos com água nos fundos, e a cabeceira sempre saía na estrada.
Em 1962 quando já havia quitado sua dívida mudou-se para Pérola com toda família, que eram na época ele, a esposa e três de seus quatro filhos, pois a caçula nasceu aqui em sua nova moradia.
Nesse mesmo ano fez a derrubada da mata e iniciou o plantio de café (maior riqueza da época). Contou-nos que já havia algumas casas de comércio em Pérola, como a Casa Sato, Hotel Pérola e outros. Lembrou-se também que outras famílias japonesas chegaram no mesmo período, família: Sato, Watanabe e Obana.
O Sr. Kazuo disse que a família sempre gostou muito de Pérola, pois estão aqui até hoje. Construiu aqui seu patrimônio e estudou todos os seus filhos, todos fizeram o Ensino Superior como ele mesmo disse.
JOSÉ JOAQUIM DE SOUZA
Em fevereiro de 1960 chegamos em Pérola. Mas antes, em junho de 1959 foi a primeira vez que eu vim aqui em Pérola. Quando aqui cheguei, a primeira pessoa que eu conversei foi com o finado Pedro Ezequiel do Couto. Fui até o Escritório da Colonizadora Byington para comprar umas datas de terra. Comprei as datas e construí a residência e o armazém de compras de cereais. Assim começamos nossa vida.
Eu fui um dos primeiros compradores de cereais de Pérola. Dois anos depois, comecei a construir nova residência e armazém, onde hoje é a Farmácia Confiança. Fiquei conhecido e por conseqüência veio a política.
Foi através das campanhas de Paulo Camargo e General Alípio que entramos na Política.
Mas devido ao ramo comercial aglomerava-se o pessoal da zona rural, porque era o que mais tinha aqui, até, porque, a cidade era pequena, e o pessoal da zona rural era numeroso.
Veio, a campanha para prefeito, isto porque Pérola já era município. Não sei se felizmente ou infelizmente, nós caímos no rol da campanha. Eu acho que dado à amizade que a gente tinha com o pessoal da zona rural, então eles começaram a me cutucar a tentar para que eu fosse candidato. Minha esposa e minha família não queriam e eu também não. Mas num belo sábado, era coisa de meio-dia, uma hora, quando eles conseguiram que eu fosse candidato.
Na época, existia o gerente da Colonizadora Byington, o senhor Gentil e Sr. Gersino (meu compadre) que também eram candidatos. Nós não conseguimos nos acertar ou fazer um acordo por um só candidato. Aceitei e disputamos a eleição, então fui eleito o primeiro prefeito de Pérola.
LUIZ LEMOS
Eu cheguei em Pérola no dia 01 de abril de 1960. No começo montei um comércio de secos e molhados. Naquele tempo não existia energia elétrica, a energia era o famoso "Lampeão Aladin", aquele a gás. Mais tarde, um vizinho nosso, o finado Pio Barone, comprou o terreno do lado de baixo e construiu um hotel e um posto de gasolina. Então nos reunimos e perfuramos um poço semi-artesiano na minha data, obtendo assim água para nosso uso. Esse poço era tocado por um gerador, força de um motor que o finado Pio Baroni tinha montado. Esse motor gerava e fornecia luz para as casas da cidade. Tudo era difícil naquela época era um programa meio apertado de um lado, porém para ganhar dinheiro era melhor do que hoje.
Gostaria de dizer também que fui o primeiro comprador do imóvel urbano da cidade de Pérola. Comprei a data número 05 da quadra 12, conforme contrato número 001, lavrado em 14 de janeiro de 1960.
NAIR SILVA VIEIRA
Vim para este município no dia 15 de dezembro de 1958. Fiquei dois anos sem ver ninguém, era tudo mato fechado. Primeiramente residi na estrada Coroado, havia duas famílias vizinhas que moravam na Estrada Lontra, tempos depois passamos a ser compadres.
Nesta época estava grávida do terceiro filho, que pari sozinha, pois meu marido estava trabalhando.
Para conseguir água, era uma dificuldade, buscava no córrego e quando chovia, colocava caneca embaixo das folhas para que pudesse matar a sede dos filhos.
Meu marido derrubava mato, porque viemos para cá sem recursos nenhum, com apenas seiscentos mil réis.
Para ir até Casa Branca fazer compras, tínhamos que ir armado devido aos animais selvagens que aqui existiam.
Meu marido limpava café e trocava por mercadorias que trazia nas costas, a pé. Minha primeira moradia foi uma barraca feita com paus e lona. A iluminação que eu possuía, fiz com a cera fabricada pelas abelhas.
A vida no mato era muito dura, mas ninguém reclamava, sempre alegre, trabalhando na espera de uma vida melhor.
Depois de seis anos, já estava tudo cultivado: café, milho, feijão. Deus levou meu marido. Fiquei só com meus filhos para fazer a colheita, continuar a lida e trabalhar mais ainda, porque tinha que acabar de criar os seis filhos e estudá-los.
Antes de meu marido falecer, ele trazia a filha mais velha nas costas até a casa do senhor Sato para estudar a 1a série com a sua filha Lúcia, e à tarde a buscava, com medo de algum bicho atacá-la.
Passado algum tempo vieram para cá a família Salgueiro. Nesta época foi construído o Hotel Pérola, onde as pessoas se hospedavam para trabalhar na derrubada da mata.
Certo dia apareceu alguns caçadores em casa. Esse acontecimento foi uma alegria, pois fazia muito tempo que não víamos gente.
Se ficássemos doentes e precisássemos de remédio, tínhamos que buscar em Xambrê ou Cruzeiro do Oeste. Mas graças a Deus meus filhos tinham saúde e foram crescendo com a ajuda Dele.
Devido à mata fechada as pessoas não percebiam gente por perto. Após a derrubada da mata é que víamos que não estávamos sozinhos e passávamos a nos visitar.
O padre vinha uma vez por mês para rezar a missa no grupo escolar. Certa vez seu Santin Cavalaro fez uma procissão, entre crianças e adultos formando 12 pessoas.
Em 1965 já havia muitos colonizadores que possuíram lotes através da Companhia Colonizadora Byington.
Nós não mantínhamos correspondências, por não ter como enviá-las. Somente após 1960 as correspondências eram levadas até Cruzeiro do Oeste, para que fossem enviadas aos seus destinatários.
LEONI TEIXEIRA RESENDE
Cheguei em Pérola em 1957, nada existia a não ser uma chácara cujo proprietário era o senhor Justino. Eu e meu pai passamos por aqui e fomos até Três Vendas comprar terras, depois retornamos a Minas Gerais.
Depois de seis meses voltamos e já haviam derrubado vinte alqueires para ser fundada a cidade de Pérola.
Lá na curva, perto da chácara do Justino, colocaram uma placa com o dizer: "Futuro Patrimônio de Pérola".
Depois do falecimento de minha avó, nós viemos de mudança para cá. Levamos três meses para chegar até Xambrê. Primeiramente moramos em Xambrê até construir o Hotel. Nessa época havia três casas, cujos moradores eram: Sato Pedro Couto, Olímpio Pereira e o Justino. Construímos o hotel, porém na hora de cobrir surgiu um problema, aqui não existia nenhum tijolo, nenhuma telha, tudo era feito à base de madeira. Fomos até Xambrê conversar com o senhor Aldo Calegari, gerente da Companhia Byington Colonização sobre o endereço da cerâmica. Os únicos meios de transporte da época eram jipe e caminhão de toras. O seu Aldo cedeu o caminhão para o transporte das telhas. Após a construção do Hotel, o pessoal vinha de mudança, uns arranchavam e outros se alojavam debaixo do porão até construírem seus barracos. Para cá vinham pessoas de quase todos os estados, menos do Maranhão e Amazonas. Os povos que mais se destacaram no desbravamento do estado do Paraná foram dos estados do Pernambuco, Minas Gerais e Bahia. Naquele tempo ninguém era chamado pelo nome, se era baiano, seu respectivo nome era baiano, se era mineiro, era chamado de mineiro.
O tempo foi passando e aqui ficamos tocando o Hotel e a população chegando, vinha gente de todo lado.Hoje se chama cidade, naquela época era chamado distrito e pertencia a Xambrê. Eu fui nomeado subdelegado, trabalho que não tinha remuneração. Quando precisava levar alguém preso até Xambrê, tinha que pagar do próprio bolso o transporte do preso, cujo transporte era um jipe, usado como táxi. Um dos proprietários de jipe era o senhor Alfredinho que reside aqui até hoje.
A primeira coisa que o povo fazia quando chegava aqui era construir uma cisterna ou cavar um poço.
A gente sofria muito, remédio e medicamento não existiam.
O primeiro grupo escolar localizava-se onde é a igreja hoje e media 20m2. A primeira professora veio do Espírito Santo e se chamava Regina.
Naquela época a febre do momento era o café. A primeira coisa que faziam era derrubar a mata para fazer o plantio do café. Tudo era feito com muita dificuldade.
As madeiras que existiam era: peroba rosa, ipê, cedro, jacarandá, canafístula. Na época ninguém dava valor, mas hoje são consideradas madeiras de lei. A primeira serralheria fundada foi a Poiares, que transformava a madeira para a construção das primeiras casas.Naquela época se falássemos em lanchonete ninguém entendia, porque o que existia aqui eram vendas, onde era vendido de tudo.
Eu permaneci aqui até 1968, onde vivi 11 anos. Quando Pérola passou a município eu já não morava mais aqui, mas eu conheci o senhor José Joaquim de Souza que foi o primeiro prefeito e o senhor Eliseu Lannes do Carmo.
Hoje quando venho a Pérola me considero um estranho, mas tenho a plena consciência que fui um dos desbravadores desta terra.






