Artigo Genivaldo Braz - Nem um Tapinha?
22/12/2011
Fim da palmadinha. Mais um projeto de lei “sensacional” para acabar com a violência e revolucionar o modo de educar as crianças. Pedagogos, psicólogos, educadores, promotores e boa parte da classe política brasileira comemoram esse “avanço” nas políticas de proteção à criança e ao adolescente contra os maus tratos e abusos, um mal que tanto assola a sociedade atual. Brindam esse absurdo como um feito histórico, com todos os argumentos na ponta da língua para rebater aos críticos, acreditando de fato, que contribuíram com um importante passo para a evolução da humanidade.
Mas, vejamos se entendi direito: agora, qualquer vizinho enxerido vai ter o direito de ligar para a polícia se ouvir choro de criança na casa ao lado? Seremos vigiados o tempo todo durante a criação de nossos próprios filhos? Qualquer pessoa poderá interferir? É isso que querem fazer com as relações sociais?
Não que se deva ser a favor da violência, mas o que deve ser reprimido o tempo todo e por todos os lados é a AGRESSÃO, ABUSO, isto sim, é crime. Já a palmadinha tem uma função secular didática essencial. Se aliada ao diálogo - veja bem, aliada ao diálogo - e não tendo abuso em seu uso, qual é o problema? A palmadinha ajuda a despertar a criança para seus limites, situa-a em suas obrigações e ainda prepara-a para o enfrentamento à vida no futuro, no mundo exterior - que por sinal, não é nenhum mar de rosas. Ao contrário do que pregam, não causa traumas, não forma delinquentes e induz a criança a adquirir responsabilidades.
É muito complexa a definição de “agressão”, “castigo” ou “violência”, quando se trata de cuidar de nossas crianças. Mas, querendo ou não, faz parte da realidade de qualquer ser humano, seja ele maior ou menor, o sofrimento, as decepções, as contrariedades, os limites, e isso não deve ser mascarado ou escondido, muito menos de uma criança. Por mais que possa parecer cruel, essas vivências negativas devem fazer parte da vida da criança, pois são nestes momentos que ela vai aprender que nem tudo é fácil, que temos que conquistar as coisas por nossos próprios méritos e que nem tudo se pode querer ou fazer. E isso não dá para ensinar por meio de palavras doces e mãozinha na cabeça. Violência maior é não permitir que a criança aprenda isso...
Mas, se querem transformar o mundo em um reino encantado, em que todos resolvam seus problemas com sorriso no rosto, diálogos, acordos e todas as demais soluções pacíficas, tudo bem. É ótimo que isso ocorra. Vamos começar então. Transformemos os presídios em verdadeiros centros de reabilitação, abolindo toda e qualquer forma de violência física e psicológica, recuperando os detentos de forma adequada, ensinando-os a exercerem a cidadania, trabalhando, estudando, cooperando uns com os outros. Recuperemos o status das escolas como estabelecimentos de ensino, não depósito de alunos, como são hoje, onde aprende quem quer, pois se não quiser, passa de ano da mesma forma. Quantos trogloditas não temos por aí, ingressando em universidades, que mal aprenderam o significado da palavra cidadania? Reformemos o sistema trabalhista, as políticas de emprego e as relações comerciais, para que os pais de família dêem vida digna a seus filhos, passem mais tempo com suas famílias, divirtam-se, tenham moradia com o conforto necessário. Vamos resolver todos os conflitos internacionais com diplomacia, com os dois lados cedendo, encontrando uma saída para as vítimas e refugiados de guerra, fazendo acordo com os extremistas, respeitando seus princípios religiosos e locais sagrados, e que eles também aprendam a respeitar os seus limites. Vamos aprender a dividir as riquezas do mundo, diminuindo as desigualdades e a concentração desumana de renda. Formemos alianças entre os países ricos para socorrer os países vítimas da fome, grandes desastres, epidemias, para que se alivie todo aquele sofrimento e violência a que estão sujeitos.
Aí, sim, teremos o mundo perfeito para, no futuro, receber as crianças que terão essa nova forma de educação dentro de casa, sem palmadinhas. Pois, se devemos criar cordeirinhos, de nada adiantará se, ao se tornarem adultos, forem soltos nesse mundo de chacais.
Genivaldo Braz de Campos é estudante de Comunicação Social pela UNIPAR e Diretor de Comunicação da Prefeitura Municipal de São Jorge do Patrocínio.
Genivaldo Braz
Departamento de Comunicação
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