Artigo Dilceu Sperafico - As contradições e desafios do fechamento da Estrada do Colono
28/12/11
Dilceu Sperafico
As audiências públicas, realizadas em novembro último em Serranópolis do Iguaçu e Capanema, destacaram, mais uma vez, as contradições do fechamento da Estrada do Colono, no trecho que corta o Parque Nacional do Iguaçu.
A medida extrema, com uso de tropas da Polícia Federal e militares, contra pacatos e desarmados agricultores, ocorrida há quase 10 anos, envolve uma série de controvérsias, que talvez jamais sejam esclarecidas à população regional.
Fechada pela primeira vez em 1986, como resultado de ação judicial de partido político de Foz do Iguaçu, a rodovia foi reaberta anos mais tarde, até a operação policial-militar, que incluiu o uso de explosivos para destruição de balsa e do leito da estrada.
O trecho ligava o Sudoeste e Oeste do Paraná e foi caminho de grande parcela de colonizadores da região, oriundos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A primeira contradição do fechamento da rodovia foi falta de ação semelhante contra a Estrada das Cataratas, que corta a mesma reserva florestal, atende empreendimentos empresariais e é utilizada diariamente por grande número de estrangeiros.
A segunda, é que não se vê ações policiais e militares como a da interdição da estrada, nem mesmo contra o crime organizado, que domina o tráfico de drogas e armas na fronteira com o Paraguai.
Com esse raciocínio, encontramos muitos outros fatos de difícil entendimento e explicação, começando pela punição de agricultores que, na prática, vinham preservando a reserva florestal, desde a sua criação. O Parque Nacional do Iguaçu foi criado em 1939 e pelo que se sabe a Estrada do Colono já existia desde 1920, sem qualquer prejuízo à natureza.
Aliás, as estradas-parques existem em todo o mundo pela simples razão de que não se pode cobrar cuidados da população com o que ela desconhece. É tendo acesso às belezas e riquezas naturais que os cidadãos se conscientizam de sua importância e se sentem responsáveis pela sua proteção.
Na condição de vice-presidente da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa a proposta de criação de estrada-parque, consideramos positiva a livre manifestação da população, por contribuir para a fundamentação de relatório sobre a reivindicação.
Ouvindo a comunidade podemos avaliar melhor a situação, pois a reabertura da estrada é questão antiga, com decisões da Justiça sobre o assunto. A criação de Comissão Especial na Câmara dos Deputados não significa nenhuma certeza de vitória, mas estamos elaborando estudo com profundidade e responsabilidade.
Ouvindo a população mais diretamente interessada, ao mesmo tempo em que consultamos cientistas, técnicos, autoridades e lideranças, reuniremos informações e fundamentos necessários para elaboração de relatório sobre a proposta.
O que a população precisa entender é que o andamento dos trabalhos não significa batalha vencida, já que depois da Câmara dos Deputados, haverá decisão do Senado.
Nosso trabalho será elaborar e aprovar relatório favorável à reabertura da estrada na Câmara e depois acompanhar os debates no Senado.
O importante é que teremos mais uma oportunidade ou mais uma chance de solucionar o problema que se arrasta há muito tempo e envolve os anseios da população do Oeste e Sudoeste do Paraná.
A sociedade tem o direito, quer a reabertura e nós faremos o possível para que isso aconteça, conciliando os anseios dos cidadãos e do meio ambiente.
O autor é o Deputado Federal Dilceu Sperafico
Email.dep.dilceusperafico@camara.gov.br






