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POLÍCIA
Mistério ronda mortes seguidas de suicídio de agente
Anna Victória Corrêa, 17 anos, postou foto com homenagem para pai Ronaldo da Silva Corrêa, 49; a mãe da menina também foi morta a tiros
Redação Pérola - PR
Postada em 21/08/2017 ás 09h32
Mistério ronda mortes seguidas de suicídio de agente

A cidade de Guaraci possui cerca de 10 mil habitantes. Situa-se perto de São José do Rio Preto e Barretos. É um município tranquilo, ruas ermas à noite e com baixos índices de criminalidade, que tem a maior fonte de renda e empregos para seus trabalhadores em uma usina de cana-de-açúcar. Porém, na última semana, a calmaria que permeia Guaraci foi cruelmente interrompida. E em pleno domingo de Dia dos Pais. Em 13 de agosto, o agente penitenciário Ronaldo da Silva Corrêa, de 49 anos, sacou sua arma e atirou diversas na mulher, Rosicleia da Silva, de 46, professora e diretora de uma escola municipal, e pelo menos três vezes no peito da filha Anna Victória Corrêa, de apenas 17 anos.
 


Depois de cometer o duplo assassinato, o agente, que trabalhava na Penitenciária de Franca e viajava aos finais de semana para visitar a família em Guaraci, decidiu tirar a própria vida com um tiro na cabeça. Ele chegou a ser socorrido até um hospital de Barretos, mas não resistiu e morreu pouco depois. 

 

Toda a cena foi assistida pelo outro filho do casal, de apenas 5 anos. Segundo a Polícia Civil, o menino viu a irmã e a mãe serem brutalmente assassinadas pelo pai e pode não ter se tornado a terceira vítima da chacina porque conseguiu fugir da casa, buscando consolo e ajuda com vizinhos, que acolheram a criança e acionaram a Polícia Militar. Além do menino, o casal deixa um filho de 25 anos, que reside no Estado do Mato Grosso há algum tempo.

 

Pessoa tranquila

Até agora, uma semana depois do crime que chocou a pequena cidade, não há respostas para sanar as dúvidas que assolam familiares das vítimas, amigos de Anna Victória e Rosicleia, e colegas de trabalho de Ronaldo ouvidos pelo Comércio e que preferem não se identificar. Entre essas indagações, está a pergunta do que poderia ter acontecido para que ele, considerado por moradores da cidade como um homem tranquilo, casado há mais de duas décadas com a professora, e pai dedicado, executasse parte de sua família. “Ronaldo sempre falava com muito carinho da mulher. Era sereno e ótimo colega de trabalho e amigo. Era só elogios aos filhos também. Quando soubemos, ficamos transtornados”, disse um agente penitenciário que trabalhava com Ronaldo em Franca.

 

Semelhante opinião tem um outro funcionário da penitenciária da cidade, que também não cita a possibilidade de uma traição de alguma das partes como motivação para o crime, já que Ronaldo sempre falava com carinho da família. “Ele trabalhava aqui desde 2012. Era dedicado, honesto, tranquilo e um exemplo de trabalhador. Não tinha problemas com ninguém: nem com colegas, tampouco com presos. Respeitava todo mundo e comentava com amor sobre sua mulher e filhos. Estava de folga no dia da tragédia e deveria retornar ao trabalho na segunda-feira seguinte. Agora, está todo mundo sem entender nada.”

 

De acordo com outros colegas do agente penitenciário em Franca, ele fazia “bicos” em um varejão da cidade para complementar a renda e proporcionar uma vida mais confortável aos filhos e à mulher. “Trabalhei com ele por um ano e quatro meses no varejão. Fazia o período da noite, então sempre chegava às 18 horas e ficava até fechar. Sempre foi educado, cordial e falava muito na família. Não fazia mal a ninguém e tinha muito amor pelos filhos e pela mulher”, disse uma operadora de caixa que trabalhou com Ronaldo. Outra funcionária do estabelecimento concordou. “Ninguém, jamais, poderia pensar que ele chegaria a fazer algo contra outra pessoa, ainda mais a própria família e de uma forma tão violenta.”

 

Comoção local

Duzentos quilômetros de distância de Franca e as opiniões são as mesmas. Em Guaraci, cidade onde Ronaldo foi vereador entre 1997 e 2000, a comoção ficou ainda maior. Especialmente porque, horas antes da execução, Anna Victória escreveu uma homenagem ao pai nas redes sociais. Com uma foto dos dois, ela postou “Feliz Dia dos Pais, meu negão”, ressaltando a data e o carinho que sentia pelo agente. A foto foi compartilhada por diversos amigos e conhecidos da família, inclusive professores da estudante do 3º ano da Escola Estadual “José Santana”. “Conhecíamos toda a família, pois o Ramon, primogênito, também estudou aqui. Foi meu aluno. Todos eles sempre foram presentes na escola e queridos na cidade. A Anna e a Rosi (mãe) eram exemplo. Participavam de tudo da escola e se envolviam em diversos projetos. A Anna era ótima aluna, valorizava a família e os amigos e estava empolgada com a formatura no final do ano”, disse a diretora da escola, Sandra Aparecida Cavesan Wehbe.

 

Nos próximos dias, a Polícia Civil deve ouvir a mãe de Rosi e outros familiares para saber o que pode ter motivado os assassinatos, já que, segundo as informações preliminares, Ronaldo nunca deu sinais de que tivesse problemas psicológicos que pudessem desencadear essa reação assassina. Como o autor se suicidou, o inquérito deve ser encerrado, despachado ao Fórum e arquivado. E a dor? Jamais será esquecida. “A cidade está em choque e sem compreender o que pode ter motivado um pai a fazer isso com a família”, disse um policial do município. 

(GCN)
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